As esperanças do Sporting na conquista do título de campeão nacional podem ter-se esfumado, este domingo, de uma vez por todas, por conta daquela que foi a primeira derrota na receção ao Académico de Viseu em mais de 40 anos (a última fora a 20 de janeiro de 1981, por 0-1), por 1-2, na qual os sinais foram além de preocupantes.
Após uma entrada afirmativa em campo, com direito, inclusive, a ameaça de golo por parte de Nestory Irankunda, os leões entraram em modo ‘gelatina’, tremendo ao mínimo sinal de que a ‘colher’ visitante estava a chegar. O primeiro sinal de intranquilidade surgiu aos 20 minutos, quando uma tentativa de finta por parte de Kaique Pereira por pouco não deu em golo de André Clóvis.
À segunda tentativa, os viriatos não precisaram de pedir licença, até porque os anfitriões fizeram questão de lhes estender a passadeira. Robinho recebeu a bola completamente solto na ala esquerda e teve tempo para temporizar na perfeição o cruzamento para o golo de João Guilherme.
Instantes depois, a bola voltou a entrar na baliza verde e branca, desta feita, pelos pés de Cihan Kahraman, tendo valido a atenção da equipa de arbitragem de Miguel Nogueira, que reparou que, na altura de fazer o anterior lançamento de linha lateral, Miguel Breu colocou um pé além da linha, pelo que o lance foi prontamente anulado.
O cenário era complicado, e o Sporting regressou para a segunda parte, aparentemente, empenhado em resolvê-lo, com uma entrada de tal maneira forte que precisou de apenas 17 minutos para repor a igualdade, por intermédio do inevitável Luis Suárez, que respondeu com um desvio certeiro a um passe de Iván Fresneda.
No entanto, tudo não passou de fogo de vista, já que, aos 74 minutos, as debilidades defensivas voltaram a vir ao de cima. Em circunstâncias em tudo semelhantes às do primeiro golo, a ala esquerda abriu-se, desta feita, para Soufiane Messeguem colocar a bola em João Guilherme, que, com mais um golo, deu a ‘machadada final’.
Ao cabo de nove rondas, o Sporting é terceiro classificado, com 18 pontos, menos nove do que o líder, o FC Porto (que visitou e derrotou o Gil Vicente, por 0-1), pelo que resta, agora, perceber se lhe será mais favorável que, em São Miguel, vença o Santa Clara (que tem os mesmos pontos) ou o Benfica (que está, para já, a distância mínima).
O Académico de Viseu, por seu lado, cimentou o estatuto enquanto uma das equipas-sensação da nova temporada desportiva de 2026/27 do principal escalão do futebol nacional, ao qual acaba de regressar, visto que passou a somar 17 pontos e ascendeu ao sexto lugar, em igualdade com o Arouca (que bateu o Alverca, por 0-1).
Figura
Uma distinção que não pode ir para outro jogador que não João Guilherme, que foi um autêntico ‘diabo à solta’ no lado esquerdo do ataque do Académico de Viseu. Sempre bastante ativo, colocou as virtudes ao dispor do coletivo, e viu a generosidade recompensada com dois golos.
Surpresa
Este Robinho pode não ser o mesmo que se tornou popular pelas passagens por clubes como Real Madrid, Manchester City ou AC Milan, mas a verdade é que ‘star quality’ não lhe faltou, no Estádio José Alvaldede, conciliando a consistência defensiva com a ousadia no ataque, como ficou à vista na assistência para o primeiro golo do jogo.
Desilusão
Kaique Pereira surpreendeu, contra o Lens, deixou dúvidas, contra o LASK Linz, e foi uma fonte de problemas, contra o Académico de Viseu. A um guarda-redes pede-se, sobretudo, que transmita tranquilidade aos companheiros de equipa, mas a verdade é que o brasileiro foi mais um centro de vibração do que outra coisa qualquer.
Treinadores
Rui Borges: Começa a ser cada vez mais difícil apontar o dedo ao certo quanto àquilo que se passa com o Sporting. Se, no início da época, a sensação era de que, com meros ajustes, a equipa ia lá, agora, tudo parece estar errado. A defender, foi um coador completo, e, a atacar, dependeu, sobretudo, dos ‘fogachos’ de um ou outro jogador.
Bruno Pinheiro: Mais uma exibição muito competente por parte do Académico de Viseu, que demonstrou, uma vez mais, que é possível ser-se consistente a defender sem nunca perder de vista o que é preciso para atacar. Em muitos momentos, sofreu, como é óbvio, mas a vitória não merece a mínima contestação.
Árbitro
Promete dar que falar a decisão de reverter a grande penalidade assinalada a favor do Sporting, por falta de Ewerton sobre Maxi Araújo, mas a verdade é que as imagens comprovam que o guarda-redes do Académico de Viseu procurou jogar a bola. Miguel Nogueira tranquilo, mesmo perante o ‘vulcão’ em que se tornou o Estádio de Alvalade, e soube gerir a componente disciplinar.