Este FC Porto (ainda) não tem estofo para as escaladas de Farioli

Date:

O que se passa com o FC Porto? Será essa a questão que está na cabeça de grande parte dos adeptos portistas depois de mais uma derrota na Liga dos Campeões na noite de terça-feira. Após os desaires diante de Manchester City e Real Betis, ontem foi a vez de os azuis e brancos serem tombados pelo PSV (0-1) em pleno Estádio do Dragão, mostrando, uma vez mais, que a receita aplicada no campeonato português não surte efeito por entre a elite do futebol europeu. 

Antes desta partida, Farioli apontava para a importância de o FC Porto ser capaz de subir a “montanha” na receção ao conjunto neerlandês. Pois bem, a noite de ontem deixou à tona que o campeão nacional português não tem, neste momento, o estofo necessário para operar grandes escaladas europeias. 

O golo de Guus Til, aos 57 minutos, acabaria por ser sintomático e até chegou mais tarde do que o esperado, uma vez que ficou a sensação, logo na primeira parte, de que o PSV estava por cima do jogo. 

Só depois do golo sofrido é que o FC Porto conseguiu esboçar uma reação, mas as melhores ocasiões para empatar o jogo resultaram de erros individuais e não tanto da mestria dos jogadores portistas. 

Se a derrota com o Manchester City pode ser ‘desculpada’ com o poderio do conjunto inglês, o mesmo não se pode aplicar ao PSV, um adversário que está ao mesmo nível do FC Porto. E muito menos do Real Betis, que já não vencia na Liga dos Campeões desde novembro de 2005 (!). 

Nove pontos já fugiram, mas ainda há mais 15 em disputa. E o FC Porto tem potencial para fazer mais e melhor nesta Champions. Ainda assim, o próximo adversário não será pêra doce – o Napoli visita o Dragão a 4 de novembro. 

Até lá, vamos aos protagonistas da noite de ontem. 

A figura 

A figura da noite só poderia ser Guus Til, o autor do único golo no Dragão. Mas esta distinção não se resume a apenas isso. O jogador do PSV foi, efetivamente, uma das melhores unidades dentro de campo e revelou-se um autêntico quebra-cabeças para a defensiva do FC Porto. 

A surpresa

O FC Porto esteve, em termos coletivos, abaixo do rendimento desejado, mas ainda assim Pablo Rosario conseguiu emergir por ser dos jogadores mais esclarecidos. O médio dominicano já deixou Alan Varela (muito) para trás na hierarquia, mas continua a impressionar pelo seu amplo raio de ação. Ontem, fez vários cortes importantes na defesa e ainda tentou a sorte no ataque, ficando perto do golo logo no arranque da segunda parte.

A desilusão 

Victor Froholdt esteve em campo, mas o seu talento parece ter ficado do lado de fora do relvado. O jogador dinamarquês esteve irreconhecível, não conseguindo ter impacto nem a atacar nem a defender. Também por aí se explica a exibição tão cinzenta do FC Porto. O melhor FC Porto precisa do melhor Froholdt e isso não aconteceu ontem. Uma das piores exibições do nórdico com a camisola azul e branca… 

Os treinadores

Francesco Farioli 

A ideia de apostar em Samu e Pietusewski de início seria, em teoria, uma boa cartada, mas rapidamente se percebeu que a dupla não iria aguentar a toada física que o PSV estava a imprimir na partida. Farioli tentou arriscar em demasia ao lançar os dois jogadores no onze e acabou por perder um eventual joker que poderia lançar na segunda parte, quando se verificou a quebra física do adversário. Definitivamente, Farioli tem de deixar de olhar para os jogos da Liga dos Campeões como se se tratasse de mais uma jornada do campeonato. 

Peter Bosz

Bosz está a cumprir a quarta temporada no comando técnico do PSV e a equipa neerlandesa conta, por isso, com dinâmicas bem oleadas, apesar de as coisas não estarem a correr propriamente bem no campeonato. Ainda assim, a exibição no Dragão foi de alta categoria e mostrou que a qualidade futebolística dos Países Baixos não fica a dever nada a Portugal, ao contrário do que alguns apregoam. Este PSV tem personalidade e na primeira parte encostou o FC Porto às cordas.

O árbitro 

Daniel Siebert assinou uma arbitragem tranquila. O melhor elogio que se pode fazer a um árbitro é que quase se deu por ele. Foi o que aconteceu ontem com o alemão. 

 

— Mais como isto

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui