“Queremos ser uma equipa dominadora e uma equipa que seja capaz de colar a grande força do Benfica, que são os seus adeptos, à equipa”. Foi com este mote que, no passado dia 12 de junho, Marco Silva se apresentou ao mundo como sucessor de José Mourinho no comando técnico do Benfica, antes de colocar as mãos à obra e levar a cabo uma ‘revolução’ que, pese embora ainda não esteja 100% concluída, já começa a dar frutos.
Por entre entradas e saídas, o ex-Fulham foi colocando, gradualmente, em prática os ideais coletivos que tinha em mente, e, após uma temporada desportiva de 2025/26 que terminou abaixo das expetativas (isto é, sem qualquer troféu conquistado), está a realizar um arranque de 2026/27 de alto nível, com oito vitórias, dois empates, uma derrota, 37 golos marcados e apenas nove sofridos, ao cabo dos 11 jogos oficiais já disputados, em todas as competições.
Os sinais são positivos, e assentaram, sobretudo, em três pilares. O primeiro dos quais, claro está, teve a ver com a adaptação do plantel às novas dinâmicas trazidas pelo lisboeta, que se traduziu num investimento de quase 60 milhões de euros em reforços como Clément Lenglet ou João Palhinha, que entraram diretamente no onze titular, o primeiro, face à saída de Nicolás Otamendi e António Silva, e o segundo, fruto da inconsistência de Enzo Barrenechea.
A Nicolás Otamendi e António Silva, juntaram-se na ‘debandada’, entre outros, Sidny Lopes Cabral, Richard Ríos ou Franjo Ivanovic, num claro sinal de que a direção liderada por Rui Costa está empenhada com a visão desportiva e estratégica do treinador, visto que, juntos, estes três jogadores tinham motivado um investimento de, sensivelmente, 55 milhões de euros, há meio ano.
O segundo está relacionado com a rapidez com que Marco Silva encontrou o seu onze-tipo, começando pela tão badalada decisão de ‘sentar’ Anatoliy Trubin para dar o lugar a Samuel Soares, deixando-o protegido por uma defesa composta por Clément Lenglet, Tomás Araújo, Alexander Bah e Samuel Dahl. No meio-campo, João Palhinha é aposta garantida, e será uma questão de tempo até ter a companhia de um Fredrik Aursnes totalmente apto.
Mais à frente, Georgiy Sudakov tem merecido a confiança do técnico… mas, a não ser que ‘dê ao pedal’, deverá acabar por perder o lugar para os mais produtivos Rafa Silva, Gianluca Prestianni e Andreas Schjelderup (juntos, valeram 14 golos e sete assistências, ao passo que o ucraniano leva apenas um passe para tento), na retaguarda de Vangelis Pavlidis, o ‘dono e senhor’ do ataque encarnado.
O terceiro e último ponto tem a ver com o ambiente que se vive no balneário. Depois de uma época marcada por uma série de pontos de tensão, esta parece encaminhar-se para ser mais bem pacífica, face a boa relação que se vive no seio do plantel. Aliás, na passada quarta-feira, o próprio enalteceu a importância da “ligação fora de campo” entre jogadores como Alexander Bah e Rafa Silva, ou Andreas Schjelderup e Gianluca Prestianni, que acaba por refletir-se dentro do mesmo.
Nem tudo é um ‘mar de rosas’
Não quer isto dizer que tudo está bem neste ‘novo Benfica’. Uma das principais incógnitas reside na maneira como a equipa irá reagir aos duelos com adversários de outro nível individual e coletivo, já que a atual amostra (St. Gallen, Hearts, Académico de Viseu, Casa Pia, Aarhus, Estoril, Marítimo e Moreirense) está longe de ser o mais complicado que esta terá pela frente.
O ‘teste do algodão’ pode, ainda assim, estar já ao ‘virar da esquina. Isto porque, no espaço de apenas sete dias (domingo, quarta-feira e, novamente, domingo), vai defrontar, Gil Vicente (no Estádio da Luz), AC Milan (no Stadio Giuseppe Meazza) e FC Porto (no Estádio do Dragão), antes daquela que será a primeira pausa para compromissos internacionais de 2026/27.
Há, ainda, uma série de casos ainda por resolver no plantel, como os de Bruma (que foi afastado e pode, inclusive, vir a rescindir contrato), Manu Silva (que começou como grande aposta para ter ‘lugar cativo’ no banco de suplentes) ou Dodi Lukebakio (que foi recrutado, no verão de 2025, ao Sevilla, num negócio que pode vir a ascender aos 24 milhões de euros, mas que, três treinadores depois, continua sem vingar).
Finalmente, há que perceber qual será a relação com o Seixal. A aposta na formação continua a ser uma ‘bandeira’ de Rui Costa, mas a utilização de jovens promessas como Daniel Banjaqui, José Neto ou Miguel Figueiredo continua a ser residual, dando a indicar que a juventude poderá não ter tão cedo o espaço que pretende, ao mais alto nível.