Ainda é cedo para retirar conclusões definitivas, mas os sinais são positivos. Depois de um arranque de temporada ‘turbulento’, com dois golos sofridos na visita ao Estrela da Amadora (que transformaram uma vantagem de 0-2 num empate) e outros dois na receção ao Vitória SC (que chegaram a ameaçar uma superioridade de 3-0), o Sporting estancou, pelo menos, para já, aquilo que era uma autêntica ‘sangria’.
A retoma começou a desenhar-se na vitória sobre o Alverca, por 3-1, em que o destaque foi para a estreia de Ibrahima Ba, reforço de verão adquirido ao Famalicão, a troco de uma verba na ordem dos 20 milhões de euros, que fez dupla com Zeno Debast e assinou uma exibição imperial, dando aos leões a segurança que até então lhes faltava, apesar do remate certeiro de Figueiredo, já nos instantes finais.
Um traumatismo interrompeu a continuidade do senegalês, tendo Rui Borges apostado, desde então, num par de ‘velhos conhecidos’ formado por Gonçalo Inácio (que falhara o embate com os ribatejanos, alegadamente, por motivos relacionados com o mercado de transferências) e Zeno Debast (que deixou para trás os problemas físicos que o atormentaram, em 2025/26).
Daí em diante, não mais os vice-campeões nacionais em título encaixaram golos. Primeiro, foram ao Estádio dos Arcos golear o Rio Ave, por 0-4, antes de, no passado fim de semana, terem levado a melhor sobre o Nacional, no Estádio José Alvalade, por 2-0, para darem e entender de que a melhor fórmula para evitar sobressaltos está já encontrada.
Eduardo Quaresma a ver navios
Aquela que é uma boa notícia para o Sporting pode ser uma má notícia para Eduardo Quaresma, que estava crente de que esta seria mesmo a temporada de afirmação na equipa principal, depois de uma pré-época em que envergou a braçadeira de capitão, face à ausência de jogadores como Gonçalo Inácio, Maxi Araújo (que estiveram no Campeonato do Mundo) ou Morten Hjulmand (que partiu para o Atlético de Madrid).
Seguiu-se a renovação contratual, até junho de 2031, com uma cláusula de rescisão no valor de 80 milhões de euros. No entanto, a chegada dos jogos ‘a doer’ trouxe com ela o primeiro percalço, visto que ficou diretamente ligado ao golo que abriu o caminho à recuperação do Estrela da Amadora, quando perdeu a bola para o autor do mesmo, Leandro Antonetti, e ficou a reclamar uma falta não assinalada por João Gonçalves.
O internacional sub-21 português também não ficou isento de culpas, no ‘susto’ vivido perante o Vitória SC, e, coincidência ou não, a verdade é que, daí em diante, ‘perdeu o comboio’, tendo entrado apenas para o lugar de Zeno Debast, nos instantes finais do jogo com o Alverca, e ficado no banco de suplentes, nas partidas que se seguiram, com o Rio Ave e o Nacional.
Gonçalo Inácio e Zeno Debast dão, neste momento, ao Sporting uma tranquilidade tal que dificilmente Rui Borges arriscará debilitá-la com mais uma mexida. Eduardo Quaresma passa, assim, para terceira opção… que poderá passar para quarta, visto que Ibrahima Ba também já deixou bem claro que está preparado para lutar pelo seu espaço junto da nova equipa.
“A confiança nem sequer está em causa”
Apesar deste ‘ocaso’, Rui Borges garantiu, na véspera do Sporting-Vitória SC, que continua a contar com Eduardo Quaresma: “O futebol é feito de erros coletivos e individuais, se não, não havia golos, mas jamais apontarei o dedo a um erro individual de quem quer que for. Nunca o fiz e não vou fazer agora. Falei diretamente do Edu porque me perguntarem diretamente do Edu”.
“Fez um belíssimo jogo. A confiança nem sequer está em causa. Tem tido um crescimento excecional enquanto atleta, jogador e pessoa, por isso é que está no lote de capitães, e espero que continue a dar a resposta que tem dado. É isso que lhe peço, que falhe – porque vai falhar ele e outros. Quem mais falha sou eu, por isso, não há problema”, afirmou, referindo-se ao tão badalado lance ocorrido diante do Estrela da Amadora.