“O mercado tem zero influência naquilo que são as minhas decisões”. Foi assim que Marco Silva explicou a ‘revolução’ que promoveu na visita do Benfica ao reduto do Hearts, que carimbou a passagem ao playoff de acesso à fase regular da Liga Europa. O treinador das águias, perante a vantagem dilatada obtida no Estádio da Luz, optou por dar mais tempo de jogo a jogadores menos utilizados e ganhou algumas (boas) dores de cabeça. Isto, numa altura em que aguarda pela chegada de mais reforços, especialmente, para o centro do terreno, onde João Palhinha é o nome mais desejado.
Com uma linha defensiva que dificilmente voltará a ser utilizada nesta temporada, tal como o próprio Marco Silva garantiu, os principais destaques vão para as exibições de José Neto e Manu Silva.
O jovem lateral-esquerdo deu conta do recado, apesar de continuar a revelar algumas fragilidades defensivas que apenas um maior período de utilização em jogos de elevada exigência ajudarão a ultrapassar. Do ponto de vista ofensivo, José Neto mostrou-se sempre muito disponível – fisicamente e posicionalmente – para ajudar Andreas Schjelderup, tendo mostrado também sintonia com Gianluca Prestianni (entrou na segunda parte). Ficou diretamente ligado ao lance do golo, aparecendo em zonas interiores, para assistir, de costas para a baliza, Dodi Lukebakio para o único golo do Benfica em solo escocês.
“Achámos que era o momento de ele começar. Um jogador que é muito inteligente, não só dentro do campo, como fora,. Percebe bem aquilo que nós pretendemos e que, naturalmente, terá de crescer e vai crescer. É melhor para ele crescer a competir do que, algumas vezes, a não competir. E, sempre que nós pudermos e acharmos que é o momento de lhe darmos a oportunidade, teremos de dar-lhe. Fez uma boa pré-temporada. É um jogador em quem nós, Benfica, acreditamos muito, que pode vir a ser um jogador muito importante para o clube”, destacou Marco Silva, no rescaldo da partida, em conferência de imprensa.
Manu Silva também se exibiu a bom nível no Tynecastle Park, dando mais garantias a Marco Silva, caso exista algum problema físico com Tomás Araújo ou Clément Lenglet. A dupla de titulares ficou definida depois da saída anunciada de António Silva, mas o treinador das águias continua à espera de um novo central, um dossier que Rui Costa garante estar a trabalhar e que nos próximos dias terá novidades.
O ex-Vitória SC até começou por ser titular no primeiro jogo da temporada, no reduto do St. Gallen, mas rapidamente perdeu o lugar para Enzo Barrenechea, com Marco Silva a contar com Manu como central de recurso. Sem ser especialmente poderoso no combate mais físico, o jogador de 25 anos consegue tirar partido do sentido posicional e da inteligência tática que já mostrou ter no papel de médio.
Ríos e Durán desperdiçam oportunidade?
No setor intermédio, Richard Ríos foi titular pela primeira vez e assinou uma exibição esforçada, mas sem conseguir igualar a influência ofensiva de Leandro Barreiro, o habitual titular. O colombiano dá maior poder de choque ao meio-campo, sendo que não acrescenta muito no capítulo do passe vertical e das transições ofensivas.
Mais à frente, Lukebakio até marcou um golo, mas esteve quase sempre desligado do jogo, mostrando-se até algo passivo na hora de baixar e defender. Do outro lado, Andreas Schjelderup continua à procura do melhor momento de forma, deixando, ainda assim, vários apontamentos positivos.
Jhon Durán também mereceu a primeira oportunidade como titular, mas dificilmente irá tirar o lugar a Pavlidis nesta fase da temporada. Apesar de ser um jogador de remate fácil, o jogador emprestado pelo Al Nassr não consegue assumir as funções do grego, que alia eficácia em frente à baliza com um jogo associativo e mais racional nas suas ações.
Banjaqui e Anísio sem minutos
Apesar de Marco Silva ter aproveitado esta visita à Escócia para dar minutos a vários jogadores, os jovens Daniel Banjaqui e Anísio Cabral não foram merecedores de uma oportunidade. O lateral direito ainda se sentou no banco de suplentes, ao passo que o ponta de lança foi remetido para a bancada.
Em cinco jogos oficiais nesta nova temporada 2026/27, os dois jovens, considerados como das maiores promessas do Seixal, não somaram qualquer minuto de utilização por parte de Marco Silva.