O Sporting entrou a vencer na nova edição da Liga dos Campeões, batendo os turcos do Galatasaray (3-1) em noite de remontada, em Alvalade, e Carlos Saleiro acredita que a equipa de Rui Borges está cada vez mais oleada, depois da revolução do plantel feita no mercado de verão. Em exclusivo ao Desporto ao Minuto, o antigo jogador dos leões realça a importância de ter Luis Suárez mais perto do melhor momento de forma, ao mesmo tempo que diz acreditar que Rodrigo Zalazar pode dar um passo de afirmação, depois do belo golo apontado na quarta-feira.
“Claramente que é muito importante o Suárez estar bem fisicamente e também psicologicamente, porque é um jogador, a meu ver, imprescindível no modelo de jogo do Sporting. É claramente o melhor avançado”, começa por dizer Saleiro.
“Obviamente, passou por uma fase menos positiva, até por conta das expectativas do mercado, tanto para ele como para os adeptos e mesmo para a estrutura. Mas, olhando para aquilo que foram os últimos jogos e até as últimas declarações do Suárez, o Suárez está de volta. Acho que é super importante porque, como disse, é o melhor avançado, faz golos e faz a equipa também jogar melhor. Se o Suárez estiver bem, o Sporting só tem a ganhar com isso“, defende.
Zalazar precisa de tempo
Zalazar foi o grande investimento do Sporting para o ataque a esta nova época, custando 30 milhões de euros, mas tem sido alvo de algumas críticas e parece longe de se impor em Alvalade. No entanto, Saleiro salienta que o uruguaio ainda está em período de adaptação e que dentro em breve conseguirá chegar ao nível exibido em Braga.
“O Zalazar é este tipo de jogador, com muita raça, que se entrega totalmente ao jogo, útil em, pelo menos, duas posições, neste estilo de jogo do Sporting, neste sistema tático. É um jogador que é uma mais-valia. Obviamente que tem de ter uma adaptação para poder assimilar novas ideias, conhecer novos colegas e ambientes. Acho que é tudo natural. Agora, a entrega que ele tem, para mim, é muito importante. Fez um grandíssimo golo e acho que vai dar-lhe mais confiança. Este tipo de golo faz com que as pessoas olhem para ele outra vez de maneira diferente. Acredito que as críticas são do exterior, não do seio daquilo que é o Sporting”, explica, lembrando, também, que muita coisa mudou na equipa verde e branca.
“As prestações não têm sido fantásticas, mas também não têm sido más. Tem de equilibrar e é isso que me parece estar a atingir: o equilíbrio da sua exibição, da sua forma física e da sua adaptação. Ainda para mais, o Sporting mudou muitos jogadores. Tudo isto exige um período de adaptação, não só para ele, mas para muitos dos jogadores”, justifica.
Flávio Gonçalves merecia titularidade na Champions
Rui Borges operou algumas mexidas no onze que montou frente ao Galatasaray, relegando Flávio Gonçalves para o banco de suplentes, apesar da boa resposta dada pelo jovem avançado português. Saleiro confessa ter ficado surpreendido com a decisão do treinador, mas aponta para as etapas que devem ser cumpridas nesta fase da carreira.
“Olhando para aquilo que foram os últimos onzes do Sporting, não se percebeu a ausência do Flávio Gonçalves, mas também não sabemos como estava fisicamente e como é gerida a carga de jogos. Essas coisas, muitas das vezes, passam-nos um pouco ao lado. Mas, olhando para aquilo que foram as últimas decisões, o Flávio merecia ser titular. Acho que, na próxima jornada, vai voltar ao onze, porque tem feito um início de temporada muito bom e é mais uma agradável surpresa da Academia do Sporting, e isso é de valorizar. Obviamente que as coisas não são logo todas feitas num dia, e o Flávio, certamente, está a crescer também com isto, com estas decisões”, vaticina.
Carlos Saleiro fez toda a formação no Sporting e vestiu a camisola da equipa principal por 69 jogos, marcando sete golos.
© Reuters
Caminhada na Champions pode ser repetida
O Sporting ultrapassou, com sucesso, o primeiro obstáculo na nova caminhada na Liga dos Campeões e Carlos Saleiro não tem dúvidas: o percurso da época transata, que apenas terminou nos quartos de final, pode ser repetido em 2026/27.
“O Sporting tem oscilado muito, neste início de temporada. Tem feito muitos golos, mas tem oscilado em vários momentos do jogo, e isso também se deve muito à adaptação de muitos jogadores novos. Acho que o Sporting está cada vez melhor, mais estável, mais seguro, com os jogadores a conhecerem-se melhor. E acho que isto, obviamente, traz-nos, nestes últimos jogos, algumas recordações passadas que foram de sucesso no clube. Por isso, acho que o Sporting, até olhando para aquilo que é o calendário, pode, obviamente, sonhar com o apuramento”, destaca, não deixando de apontar para a valia dos adversários que se seguem.
“Ainda é muito cedo e são jogos de grau muitíssimo elevado. Agora, o Sporting vai jogar contra o Lens, outro tipo de equipa que, teoricamente, pode não ser superior, mas, nestes jogos de Liga dos Campeões, é sempre um pouco imprevisível. Se quer o apuramento, tem de entrar na máxima força e ganhar estes jogos, teoricamente, mais acessíveis, para, depois, bater-se de igual para igual contra os gigantes europeus. Aí, sim, é totalmente diferente, mas acho que o Sporting pode fazer isso”, frisa.
A fechar, Carlos Saleiro mostra-se satisfeito por ver o Sporting encontrar um ponto de “estabilidade emocional” depois da remodelação do plantel.
“Acho que é importante esse equilíbrio, que está a ser atingido neste momento. Estamos em setembro, mas daqui a pouco já estamos em outubro, e por aí fora. O campeonato vai decorrendo e a Champions também, portanto o Sporting tem de estar preparado. Acho que, neste momento, ganhou este equilíbrio e está preparado para qualquer competição“, remata o antigo avançado dos leões.