Depois de alguma ‘turbulência’ inicial, o Benfica parece ter conseguido, de uma vez por todas, estabilizar, com dois autênticos ‘atropelos’ consecutivos, primeiro, ao Marítimo (no Estádio dos Barreiros, por 0-3), e, depois, ao Moreirense (no Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas, por 0-4).
Marco Silva parece ter encontrado, de uma vez por todas, a fórmula certa para colocar o ataque dos encarnados a carburar, o que pode vir a revelar-se… uma má notícia para Georgiy Sudakov, jogador no qual o próprio deposita grandes esperanças, mas tarda a traduzir em números o potencial que lhe é reconhecido e que, há pouco mais de um ano, levou a direção liderada por Rui Costa a pagar, ao Shakhtar Donetsk, 20,25 milhões de euros (mais 6,75 milhões de euros em bónus) pelo seu passe.
Desde o arranque da nova temporada desportiva de 2026/27, o internacional ucraniano foi utilizado em todos os 11 jogos oficiais realizados pelas águias (dez como titular e apenas um como suplente utilizado), com um retorno… residual, visto que o melhor que conseguiu foi uma assistência para golo (de Tomás Araújo), na goleada aplicada ao Hearts, por 6-1.
Um registo ‘magro’, especialmente, se tivermos em conta aquilo que foram já capazes de fazer Rafa Silva (cinco golos e duas assistências em 11 jogos), Andreas Schjelderup (dois golos e três assistências em dez jogos) e, sobretudo, Gianluca Prestianni (sete golos e duas assistências em nove jogos), os principais rivais na luta por um lugar no apoio ao ponta de lança, Vangelis Pavlidis.
A bola está, agora, do lado do criativo, sendo expectável que venha a continuar a ter oportunidades para mostrar o que vale, no futuro próximo, até porque o calendário vai ‘apertar’, com três jogos (ante Gil Vicente, AC Milan e FC Porto) no espaço de apenas uma semana, na antecâmara da primeira pausa para compromissos internacionais da época.
Marco Silva acredita no “patinho feio”
Os números estão à vista, e, neste momento, não será exagerado concluir que Georgiy Sudakov terá mesmo de ‘dar ao pedal’ se quiser manter o estatuto de titular do Benfica. Isto, apesar de, ainda na passada terça-feira, Marco Silva o ter defendido, em conferência de imprensa, com ‘unhas e dentes’, rejeitando taxativamente que lhe seja aplicado o rótulo de “patinho feito”.
“Acredito que, quando deixar de ser o Sudakov, vocês vão arranjar outro. Todas as equipas acabam por ter sempre o patinho feio, e, neste momento, calhou ao Sudakov. Teremos esta conversa sempre que ele jogar, se há mais críticas ou não. Percebo que vocês também vão por aí. Não tenho falado com ele sobre este tipo de críticas que vêm do exterior”, afirmou.
“Os jogadores não se podem condicionar, sei que tem alguma influência. Se eu sentir que tem muita influência neles, naturalmente, irei falar e procurá-los para ter essa conversa. Ainda não senti necessidade de ter essa conversa com Sudakov, sobre o que se passa à volta dele ou possíveis críticas ou por o acharem o patinho feio. As minhas conversas com ele têm sido mais no sentido de ele perceber o que nós queremos em cada momento e de lhe dar confiança”, prosseguiu.
“Quero que ele possa expressar o seu futebol ao serviço da equipa. Não me preocupam as críticas que vêm de fora. Se eu sentir que tem influência nos jogadores, naturalmente, vou tentar protegê-los ao máximo. É essa a minha função, enquanto treinador do Benfica”, completou, perante os jornalistas.