No Sermão de Alvalade, Sporting dá a outra face sob a bênção de Zalazar

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No dia em que se apoderou do Estádio José Alvalade o receio de uma entrada em falso na fase de liga da nova temporada desportiva de 2026/27 da Liga dos Campeões, o Sporting guiou-se… pela Bíblia. Mais concretamente, pelo famoso Sermão da Montanha, na qual se diz que Jesus Cristo ordenou a “dar a outra face”, mesmo nas alturas mais complicadas.

Ora, os leões assinaram uma primeira parte totalmente desastrosa, da qual souberam reerguer-se, para levar a melhor sobre o Galatasaray, por 3-1. E, tal como todo e qualquer ensinamento religioso, houve lugar a benções e até redenções, numa equipa que, com o passar das semanas, continua em busca de si mesma.

O jogo ameaçou tornar-se num autêntico ‘pesadelo’, uma vez que, logo ao terceiro minuto, Lucas Torreira, a ‘meias’ com Gonçalo Inácio, desbloqueou o nulo, num lance em que Rui Silva ainda chegou a realizar uma fantástica defesa… que de nada valeu, visto que a bola tinha já ultrapassado totalmente a linha de golo.

Totalmente perdidos em campo, os leões começaram a ver a luz da esperança aos 19 minutos, quando Luis Suárez marcou, mas o golo foi invalidado, visto que, no início do lance, Maxi Araújo estava em posição irregular. Ainda assim, houve mesmo ordem para festejar apenas oito minutos depois, graças à insistência de Geny Catamo.

A segunda parte trouxe um Sporting renovado, que consumou a reviravolta meros 12 minutos depois do regresso dos balneários, pelos pés de Luis Suárez, que, na conversão de uma grande penalidade, deu continuidade à tarefa de apagar os ‘pecados’ do passado (e logo o internacional colombiano, que tanto de salmos gosta).

O ponto mais alto da noite ficaria, ainda assim, reservado para os 63 minutos, Rodrigo Zalazar, que tanto tem vindo a ser criticado, desde que foi adquirido ao Sporting de Braga, por 30 milhões de euros, ‘renasceu’ e marcou, na conversão de um pontapé-livre, um golo fantástico, que selou, de uma vez por todas, o resultado final, no Estádio José Alvalade.

O Sporting soma, desta maneira, os três primeiros pontos na Liga dos Campeões, pelo que consegue juntar-se, na liderança da tabela, a Paris Saint-Germain, Barcelona, Estugarda, Manchester City, Aston Villa, Real Betis, Borussia Dortmund, Liverpool, Real Madrid, Arsenal e AEK. Já o Galatasaray, permanece com a contagem ‘a zeros’.

Figura

Se dúvidas restassem quanto aos motivos pelos quais o Sporting resistiu às (milionárias) investidas do Sunderland, terão ficado dissipadas. Geny Catamo foi preponderante para a ‘suada’ vitória do Sporting, não só pelo golo que deu início à reviravolta, mas também pela maneira como ajudou a equipa a crescer, no segundo tempo.

Surpresa

A exibição de Rodrigo Zalazar esteve longe de ser um primor, sobretudo, na primeira parte, onde arruinou praticamente todos os lances em que particiou. Ainda assim, demonstrou que mantém intactas as qualidades que demonstrou no Sporting de Braga, entre elas, o remate de longa distância, como ficou à vista no terceiro (grande) golo do Sporting.

Desilusão

A noite era de Liga dos Campeões, e o Estádio José Alvalade estava ‘à pinha’. Uma oportunidade aparentemente ‘de ouro’ para Georgios Vagiannidis demonstrar que está finalmente preparado para ser uma alternativa séria a Iván Fresneda, que foi desperdiçada, dada a incapacidade de ajudar, ora a defender, ora a atacar.

Treinadores

Rui Borges: O Sporting entrou mal, muito mal neste jogo, e a ideia que fica é que o planeamento esteve longe de ser o melhor. O meio-campo foi totalmente engolido, e as mexidas na defesa (que parecia estar, finalmente, estabilizada) não ajudaram. A reação tardou… mas, quando chegou, deixou o Galatasaray sem hipótese de resposta.

Okan Buruk: Enquanto teve ‘pilhas’, o Galatasaray ‘engoliu’ o meio-campo do Sporting e não deu hipóteses de reação. No entanto, a estratégia foi por aí. Assim que Rui Borges acertou agulhas, com o posicionamento de jogadores como Sergi Altimira, Issa Doumbia ou Luís Guilherme, os turcos ‘rebentaram’ por completo, e a derrota virou uma questão de tempo.

Árbitro

Ficou a sensação de que ninguém no Estádio José Alvalade ficou satisfeito com a exibição de Espen Eskas, que tanto desagradou ao Sporting (que pediu, por exemplo, uma outra grande penalidade sobre Luis Suárez, aos 51 minutos), como ao Galatasaray (que contestou veementemente o castigo máximo que deu o golo ao internacional colombiano, ainda que o mesmo tenha sido claramente bem assinalado), e a verdade é que se pedia muito mais, num jogo desta dimensão.

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